segunda-feira, 18 de maio de 2009

Cansaço


Cansei...
De me explicar e nada fazer saber... a ninguém
De me cuidar e não conseguir sarar
De sentir e não mudar
Do tempo passar, para todo mundo, mas sentir muito mais cruel em mim

Cansei...
De ser um peixe fora da’agua
De ser sombra velha
De ser olhos avermelhados
De fugir... de aparecer...
De gritar... de calar
De dormir e nada mudar

Cansei de dar, de trocar
De receber o que não preciso
De ser isso, aquilo, de ser tudo, de ser nada
De levar pedrada
De morrer um pouco por dia

Cansei de tentar
Cansei de amar
Cansei de odiar
De ouvir
De ajudar

Cansei de gente que se faz de rico
Cansei de interesses plásticos
Do medo das flores de plástico
Cansei de fortaleza medíocre dos adultos
De lutar num mundo de pessoas fracas
De cada fracasso no mundo doer em mim
E da minha adolescência velha, amiga
Minha, só minha
Solitária, esquecida

Cansei...
De tudo que acontece e eu não entendo
De tudo acontecer quando não mais preciso
De ser sensível, de ser idiota, de ser brava
De ser impaciente, de querer morrer
De tentar viver

Eu cansei de completar tudo
Até esta poesia
Noite e dia
Deitar incompleta
E ter apenas os sonhos que não vão acontecer
A me manter viva.

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